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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Renúncia do papa Bento 16 surpreende Igreja Católica
Papa Bento XVI
REUTERS
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CIDADE DO VATICANO, 11 Fevereiro - O papa Bento 16 surpreendeu o mundo nesta segunda-feira ao anunciar que renunciará como líder da Igreja Católica, afirmando que não tem mais a força física e mental necessária para realizar os deveres de seu ofício e tornando-se o primeiro pontífice em 700 anos a tomar tal decisão.
Líderes religiosos buscaram assegurar a calma e o clima de confiança, mas a decisão pode levar a um dos períodos mais incertos e instáveis da Igreja Católica, que vem sendo atingida por escândalos nos últimos anos.
Muitos papas no passado - incluindo o antecessor de Bento 16, João Paulo 2º - evitaram a renúncia mesmo quando estavam em condições críticas de saúde, exatamente pelo temor com a divisão e a confusão que poderia resultar da existência de um "ex-papa" e de um novo papa ao mesmo tempo. Isso poderá ser um problema especialmente se o próximo papa for um progressista.
A igreja tem sido atingida durante a liderança de quase oito anos de Bento 16 por uma crise a respeito de abuso sexual de crianças que abalou a igreja, por um discurso que desagradou muçulmanos e por um escândalo envolvendo o vazamento de documentos privados através de seu mordomo pessoal.
Em um anúncio lido por cardeais em latim, o idioma universal da igreja, o papa alemão de 85 anos disse: "Bem ciente da gravidade deste ato, com total liberdade, declaro que renuncio ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro".
"A partir das 17h (horário de Brasília) de 28 de fevereiro de 2013... um conclave para eleger o novo pontífice terá de ser convocado."
PAPA NÃO TEME DIVISÃO
Em entrevista coletiva, o porta-voz chefe do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que o papa não teme uma divisão na igreja, com católicos leais ao passado e ao presente em casos de diferenças nos ensinamentos da igreja.
Bento 16, conhecido por sua doutrina conservadora, manteve a oposição da igreja ao casamento gay, destacou a resistência da igreja ao sacerdócio feminino e à pesquisa com células tronco embrionárias.
Mas Lombardi disse que o papa, que deve ficar em isolamento por um período após deixar o papado, não pretende influenciar na decisão dos cardeais sobre quem será o novo papa.
Um novo líder para 1,2 bilhão de católicos no mundo poderá ser eleito até 24 de março, a tempo de assumir na Páscoa, disse Lombardi.
Ele indicou que o complexo processo de escolha do novo papa poderá ser mais rápido, já que o Vaticano não terá que esperar por um serviço funerário papal desta vez.
A decisão de Bento 16 chocou muitos no mundo, de fiéis a políticos e líderes religiosos.
"Isso é desconcertante, ele está deixando seu rebanho", disse Alessandra Mussolini, parlamentar que é neta do ex-ditador da Itália dos tempos de guerra.
"O papa não é qualquer homem. Ele é o vigário de Cristo. Ele deve ficar para o final... Esse é um grande sinal de desestabilização mundial que vai enfraquecer a igreja."

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