Parlamentares pedem que STF anule sessão que derrubou veto dos royalties
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BRASÍLIA, 8 Março (Reuters) - As bancadas dos Estados produtores de petróleo
ingressaram, nesta sexta-feira, com mandado de segurança no Supremo Tribunal
Federal (STF) pedindo que seja anulada a sessão que derrubou o veto da
presidente Dilma Rousseff a uma nova fórmula de distribuição dos royalties do
petróleo.
Os parlamentares querem que o Supremo anule o processo de votação do veto,
alegando que o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), contrariou
dispositivos constitucionais ao colocá-lo em análise. O mandado de segurança
preventivo, com pedido de liminar, está nas mãos do ministro Luiz Fux.
Na visão dos parlamentares, o veto não poderia ser votado antes de receber
parecer de uma comissão mista, ainda mais porque o texto colocado em votação foi
alvo de retificação da presidente Dilma Rousseff no dia anterior à sessão do
Congresso.
A alteração feita pela presidente obrigou a republicação das cédulas de
votação para incluir dois novos dispositivos que haviam sido vetados no ano
passado, mas que não tinham sido incluídos na cédula por um erro material do
governo.
"Sabe-se que a Comissão Mista tem um prazo de 20 dias para apresentar
relatório. Assim, o veto... não poderia ser apreciado na sessão do Congresso
Nacional, realizada em 6 de março de 2013. Desta forma, a decisão do Congresso
Nacional sobre o veto dos royalties é nula de pleno direito", argumenta a ação
judicial.
Os parlamentares pedem ainda ao STF que "determine que o Congresso Nacional
instale a Comissão Mista Especial para apreciação do veto".
LONGA DISPUTA
Esse é mais um capítulo da judicialização do tema. Na próxima semana, os
governos estaduais também devem bater às portas do STF pedindo liminar para
impedir a aplicação da nova regra de distribuição dos royalties, alegando
inconstitucionalidade por mexer em contratos em vigor.
O governo do Rio de Janeiro, que suspendeu na quinta-feira todos os
pagamentos não obrigatórios do Estado, com exceção dos salários dos servidores
públicos, alega que terá perdas de aproximadamente 3,1 bilhões de reais com a
mudança na lei. E o do Espírito Santo calcula queda de 4,7 bilhões em suas
receitas.
A polêmica sobre a divisão dos royalties do petróleo começou quando o governo
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu criar um novo marco
regulatório para a exploração do óleo no país, determinando que os campos do
pré-sal seriam licitados pelo regime de partilha e não mais por concessão.
Os parlamentares dos Estados não produtores viram na mudança uma oportunidade
de fazer uma nova divisão dos royalties entre Estados e municípios, sem qualquer
privilégio para os Estados produtores (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São
Paulo), mexendo inclusive nos contratos já em vigor. Aprovada pelo Congresso,
essa nova divisão foi vetada pelo ex-presidente Lula.
No governo Dilma, os parlamentares dos Estados não produtores voltaram à
carga e aprovaram mais uma vez uma nova divisão dos royalties no ano passado, o
que foi vetado pela presidente.
(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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