DE BRASÍLIA
A derrubada dos vetos presidenciais que estão nas gavetas do Congresso pode gerar um prejuízo de R$ 471,3 bilhões aos cofres públicos.
O cálculo foi feito pela AGU (Advocacia Geral da União) e faz parte de uma ação entregue nesta quinta-feira (14) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo que o plenário do tribunal se manifeste sobre a ordem de votação dos vetos pelo Congresso.
Em despacho, Fux diz que decisão sobre vetos não afeta outras votações
Fux diz que decisão sobre vetos não afeta votação do Orçamento
Congresso adia votação do Orçamento para depois do Carnaval
Fux diz que decisão sobre vetos não afeta votação do Orçamento
Congresso adia votação do Orçamento para depois do Carnaval
A polêmica começou após deputados recorrerem no fim do ano passado ao STF para evitar que o Congresso votasse o veto da presidente Dilma Rousseff à lei dos royalties. O veto impedia que Estados produtores de petróleo, como Rio de Janeiro e Espírito Santo, tivessem uma nova fórmula para distribuição das receitas.
Relator do caso, Fux deu uma decisão favorável (em caráter provisório) aos parlamentares e determinou que os 3.060 vetos que aguardavam a análise de deputados e senadores fossem analisados em ordem cronológica.
| Ministro Luís Inácio Adams, chefe da AGU |
MEMORIAL
Para forçar a revisão da medida de Fux, a AGU elaborou um memorial para os ministros da corte mostrando que a derrubada de vetos --alguns ainda do governo Fernando Henrique Cardoso-- provocariam um rombo sem precedentes nas contas do governo.
O maior prejuízo seria da revisão do crédito tributário do crédito prêmio do IPI, aprovado em 2010 por meio de uma medida provisória, que, se caísse, geraria um impacto de R$ 280 bilhões. Fazem parte desses vetos temas complexos, como renegociação de débitos tributários e previdenciários, gastos com educação, perdão por dívida, fator previdenciário e Código Florestal.
O governo pede que o Supremo module a votação dos vetos editados nos últimos 30 dias. A Constituição Federal diz que os vetos devem ser analisados pelo Congresso no prazo máximo de 30 dias após chegar ao Legislativo. Se o prazo não for cumprido, deve ser "colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final".
Adams argumenta aos ministros do STF que a medida pode gerar uma crise institucional, apontando que a decisão de Fux fere a Constituição.
"Uma interpretação que produza consequências como essas não pode ser compatível com a Constituição. Para repelir interpretações como tais deve o intérprete recorrer sempre o princípio da Unidade da Constituição, que preza pelas soluções jurídicas que produzam os resultados mais coerentes com a inteireza do texto constitucional, permitindo o exercício mais equilibrado de cada uma das funções públicas."
Outra justificativa da AGU é que a análise cronológica dos vetos pode paralisar o Congresso, sendo que seriam necessárias 153 semanas ou aproximadamente três anos para completar a análise dos vetos pendentes.
Ainda não há previsão de quando o pedido da AGU pode ser levado ao plenário. O gabinete de Fux informou que o processo ainda não foi liberado para que o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, coloque em pauta. A expectativa do Executivo é que o texto possa ser discutido nas próximas sessões da corte.
O Planalto quer evitar a votação dos vetos na próxima semana pelo Congresso e trabalha até com a possibilidade de segurar a votação do Orçamento de 2013, que aguarda análise desde o ano que vem. Interlocutores do governo já teriam até conversado com os líderes partidários informando o receio de analisar o orçamento sem a definição dos vetos.
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