Governo obtém consenso da base para que votação do Orçamento aguarde STF
BRASÍLIA, 18 Fevereiro - O governo obteve nesta segunda-feira um consenso
dos líderes de sua base aliada no Congresso Nacional para que a votação do
Orçamento deste ano aguarde uma manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a
forma de análise de mais de 3 mil vetos presidenciais pelo Parlamento.
O consenso foi anunciado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli
Salvatti, após reunião com líderes dos principais partidos da base aliada no
Palácio do Planalto na noite desta segunda-feira.
"Com relação à questão do Orçamento e dos vetos, há um consenso, uma
unanimidade, de que deveremos aguardar um pronunciamento do Supremo Tribunal
Federal", disse Ideli a jornalistas após o encontro.
O adiamento da votação do Orçamento deve ser ratificado pelo presidente do
Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que não participou da reunião com
Ideli. Mais cedo, no entanto, ele reconheceu a dificuldade de votar a peça
orçamentária e disse que um dos prováveis caminhos seria aguardar a manifestação
do Judiciário sobre os vetos.
O adiamento da votação do Orçamento, até que o STF decida sobre a forma de
analisar os vetos, vinha sendo defendida pelo Palácio do Planalto, que temia que
a eventual derrubada de alguns vetos gerasse um rombo nas contas públicas e
insegurança jurídica.
O impasse em torno da análise dos vetos e da votação do Orçamento começou no
ano passado, após decisão do ministro Luiz Fux, do STF, que determinou que os
vetos devem ser analisados por ordem de chegada ao Legislativo.
A liminar impediu a análise do veto da presidente Dilma Rousseff a uma nova
fórmula de divisão de royalties do petróleo, desejada por parlamentares de
Estados não produtores da commodity.
Deputados e senadores, principalmente da oposição, interpretaram a liminar
como um impedimento à análise do Orçamento, que deveria ter sido votado no fim
do ano passado.
No início do mês, Fux enviou notificação ao Congresso esclarecendo que não
havia impedimentos jurídicos para a votação do Orçamento. Ainda assim, o impasse
persistiu e o Planalto avaliou ser mais seguro aguardar um pronunciamento
oficial do plenário do STF.
(Reportagem de Maria Carolina Marcello)
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